Motim no Núcleo Prisional da PM em Manaus reflete tensão entre agentes detidos e comando da corporação, que planeja realocação para unidade no Complexo Penitenciário Anísio Jobim
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Cerca de 70 policiais militares presos no Amazonas protagonizaram um motim na última segunda-feira (12) contra a decisão da corporação de transferi-los do Núcleo Prisional da Polícia Militar, localizado no bairro Monte das Oliveiras (zona norte de Manaus), para a nova Unidade Prisional da PM (UPPM/AM), instalada no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na BR-174. A unidade de destino, embora exclusiva para agentes de segurança pública, registrou 23 fugas em seu entorno, conforme apontam registros oficiais.
Os detidos respondem a um amplo espectro de crimes, incluindo desvio de drogas apreendidas, participação em milícias, extorsão e facilitação de fugas. Investigações recentes de grande repercussão no estado envolvem policiais militares em esquemas de narcotráfico — quatro foram flagrados com aproximadamente três toneladas de entorpecentes. Além disso, 11 PMs tiveram prisões preventivas decretadas pela 1ª Vara do Tribunal do Júri por homicídio de um jovem na zona oeste de Manaus. Operações contra milícias também resultaram na prisão de oito policiais militares e um perito da Polícia Civil, enquanto outros nove agentes são investigados pelo desvio de meia tonelada de drogas.
O presidente da Associação de Praças dos Policiais e Forças Militares do Amazonas, Gutemberg Silva, criticou a forma como a transferência está sendo conduzida. “Não se pode colocá-los no maior presídio do estado, junto a criminosos comuns. Visitas simultâneas de familiares de policiais e de presos comuns podem gerar atritos e colocar vidas em risco”, afirmou. Ele também questionou a falta de transparência no processo: “No momento da decisão e da chegada dos veículos, os oficiais deveriam comunicar as representações. É fundamental que os internos saibam o que está acontecendo. Receber apenas uma ordem sem explicação é lamentável e desrespeitoso.”
Silva reconheceu as deficiências do atual núcleo prisional, mas defendeu que há alternativas viáveis à transferência para o Compaj. “O Estado tem condições de transformar o espaço em uma unidade digna para policiais militares. Ainda assim, é melhor do que estar no presídio junto a mais de mil presos”, concluiu.


