MP investiga bois Caprichoso e Garantido por suspeita de participação em aumento abusivo de ingressos para festival de Parintins

_Empresa responsável pela venda, a Amazon Best, não cumpriu decisão judicial que pedia a justificativa para reajustes que superam 200% em alguns setores, segundo o Ministério Público_

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O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) pediu à Justiça a abertura de uma investigação contra as associações dos bois Caprichoso e Garantido. O motivo é a suspeita de que eles participaram da definição dos preços dos ingressos para o Festival Folclórico de Parintins 2026, que tiveram aumentos considerados abusivos.

O caso começou no início de junho, quando o MP entrou com uma ação pedindo a suspensão da venda dos ingressos. Na época, o órgão alertou que o preço do passaporte para as três noites de festa poderia chegar a R$ 4,8 mil. Em alguns setores do bumbódromo, o reajuste superava 200% em comparação com os valores de 2025. A Justiça acatou o pedido e a venda foi suspensa.

Empresa não explicou aumentos

A decisão judicial também determinou que a Amazon Best, empresa responsável pela bilheteria, apresentasse um detalhamento completo dos custos que justificassem os grandes aumentos. No entanto, em nova manifestação à Justiça na última terça-feira (18), o MP afirmou que a empresa não cumpriu essa parte da ordem.

Segundo a promotora Sheyla dos Santos, a Amazon Best apenas informou que suspendeu as vendas, mas não enviou nenhuma planilha de custos, laudo ou estudo econômico-financeiro que comprovasse a necessidade dos reajustes.

Documento aponta participação dos bois

O MP destacou que a Amazon Best alegou que os preços foram definidos em conjunto com as associações dos bois Caprichoso e Garantido. Para o órgão, essa alegação genérica, sem documentos que comprovem a razoabilidade dos valores, mantém a conduta como “ilegal e abusiva”.

Além disso, a própria empresa anexou nos autos da ação um “Termo Conjunto de Definição e Aprovação de Política de Preços”, assinado com o Caprichoso e o Garantido. Para o MP, esse documento comprova de forma clara que os bumbás foram corresponsáveis pela criação da política de preços que resultou nos “reajustes exorbitantes”.

Possíveis consequências

O Ministério Público sustenta que a imposição de preços abusivos causa danos não apenas financeiros aos consumidores, mas também fere a confiança e a equidade, caracterizando uma infração à ordem econômia. O órgão defende que a empresa e os bois podem ser condenados a reparar danos morais coletivos.

Em nota, a Amazon Best informou que ainda não foi formalmente intimizada sobre o novo pedido do MP e que, assim que for, apresentará seus argumentos técnicos de forma transparente perante a Justiça.

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